Primeira Pessoa

Como a Constelação Familiar mudou a minha vida

23/04/2019


O primeiro impacto já senti quando tive que responder a um questionário enviado pela terapeuta. Perguntas difíceis sobre a minha família às quais eu nunca havia parado para refletir. Levei pessoalmente o questionário, colado, lacrado, morrendo de medo de ser roubada na rua. Ali estavam segredos, medos, dores que, mesmo em anos de terapia, eu jamais havia revelado.


Quando cheguei ao consultório, já impactada com o sonho da noite anterior, não fazia ideia de que sairia daquela sala transformada. Já na conversa inicial com a terapeuta, antes da constelação em si, muitos sentimentos vieram à tona. Mas, ainda que inconscientemente, segurei as emoções. Foi quando ela segurou em minhas mãos, olhou fixamente em meus olhos e falou para eu me permitir. “Permitir o quê? Eu tô ótima!” pensei, com o coração meio durinho que julgava ter.


Ledo engano… nas horas que se seguiram descobri um verdadeiro coração de manteiga aviação quando acessei emoções que nem imaginava que existiam. Chorei feito criança, como há anos não me permitia. Solucei, me arrepiei, senti o quanto precisava passar por aquilo, externar tudo o que eu nem sabia que ainda me machucava. Coisas que eu jurava ter superado, mas que, varridas para debaixo do tapete, cresciam silenciosamente e me impediam de ter relações extraordinárias como todo mundo merece.

Repetição de Padrões


Durante a sessão, ficou claro para mim o quanto a repetição de padrões de comportamento, críticas, culpas, julgamentos arraigados na minha família, desde sempre, afetavam a minha vida e a vida das pessoas que mais amo nesse mundo. Foi assustador. Perceber e reconhecer o meu lugar dentro da hierarquia familiar foi de uma importância e responsabilidade gigantes. Ainda bem que a terapeuta conduziu com muita cautela e muito amor aquela experiência. O mais forte de tudo foi, ali mesmo naquela sala, ter a oportunidade de ressignificar e deixar um peso enorme para trás.


Foi impactante. Me dividiu em antes e depois. Saí do consultório atordoada, mas imensamente grata pela oportunidade de estar ali. Honrada. Grata aos meus ancestrais. Grata, sobretudo aos meus pais, por terem me dado esse presente imensurável: a vida. Grata por ter escolhido estar entre eles, entre os meus irmãos, por ter um filho que me ensina todos os dias o que é o amor mais genuíno, grata pelo meu filho ter um pai maravilhoso, que divide comigo – assim como deve ser – a responsabilidade de educá-lo com todo o amor que nos cabe. Grata. Feliz. Em paz.

Gratidão


Paz e gratidão foram os sentimentos que invadiram meu coração com mais força. Cheguei em casa e olhei minha mãe de outra forma. Humana como ela é. Linda. E nunca mais olhei ninguém da mesma forma. Porque uma vez que você se dá conta, genuinamente, de que somos todos irmãos, não há como voltar atrás – graças a Deus.


Não posso finalizar esse relato sem agradecer imensamente à psicoterapeuta Salma Reis. Eu já tinha ouvido falar sobre os benefícios da Constelação Familiar, mas sempre adiava. Autossabotagem? Talvez. Mas nada é por acaso. Fiz no momento certo e com uma profissional que sempre me inspirou amor e confiança. Mulher incrível que em nosso primeiro contato numa relação terapeuta/paciente foi de um profissionalismo, de um cuidado, um acolhimento imprescindíveis para eu ter a coragem necessária de acessar e assumir o que há no mais profundo de mim. Me libertar. Não sei nem como agradecer porque, para mim, não há nada mais poderoso do que ser tão livre quanto eu sempre quis. E jamais poderia me libertar sem me perdoar. Obrigada, Salma. Obrigada, família. Obrigada, universo.


♥ ❤ ❥ ❣


Sobre a Constelação Familiar:


De forma bem breve, a constelação familiar pode ser definida como a técnica de representação das relações familiares. Seu objetivo é identificar padrões e bloqueios emocionais que passam de geração para geração e trabalhá-los no sentido de chegar à harmonia entre quem está se sentindo incomodado com os relacionamentos atuais.


Em uma sessão, funciona assim: a forma como pais e filhos, por exemplo, se relacionam é estudada pelo terapeuta, representada por meio de bonecos ou de outras pessoas e aberta para a análise dos envolvidos.


A terapia alternativa foi criada nos anos 1970 pelo psicoterapeuta alemão Bert Hellinger, ganhou popularidade nos últimos tempos no Brasil e, desde março de 2018, faz parte das práticas integrativas do SUS (Sistema Único de Saúde).


Fonte: Bebê Abril

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